A respeito dos críticos: Uma opinião bastante válida nestes dias de Spider-Man

Maio 9, 2007 às 9:27 am | Publicado em Cinema, Opinião | 1 Comentário

Que verdadeiro impacto têm os críticos nas receitas dos filmes? Serão os profissionais da imprensa especializada apenas uma necessidade (mais para a indústria do que para o público)?

Estas são algumas das questões levantadas por um artigo no FirstShowing.net que, por ocasião da estreia de Spider-Man 3, decidiu incitar ao debate.

O que se argumenta é que, mesmo que toda a crítica seja desfavorável a um filme, desde que o público tenha a sua própria opinião sobre ele ou uma motivação especial para o ir ver, não são os escritos que o vão impedir. O caso da aranha é crasso: não há UMA crítica positiva mas, ainda assim, as receitas de bilheteira são algo de gigantesco.

Na maioria das vezes, muitos dos blockbusters de Verão são arrasados pela crítica mas continuam a levar às salas mais espectadores do que todos os outros filmes ao longo do ano. Afinal, é também por isso que são blockbusters.

A tarefa de analisar um filme será sempre um acto revestido de uma subjectividade difícil de igualar por outro tipo de recensão assim como será também sempre uma tarefa ingrata, já que, os diferentes olhares acabam por chocar em interesses, motivações e admirações.

Transcrevo, para terminar, uma frase contendo uma metáfora utilizada pelo autor a respeito das críticas de cinema ( não muito poética mas bastante curiosa):

“It’s like speed limits, without them, we’d all crash and it would be mayhem, but with them, we hate them and wish they weren’t there.”

Podem ver o artigo completo aqui.

O morno Espírito Pascal

Abril 8, 2007 às 5:44 pm | Publicado em Blog, Opinião, Televisão | 3 comentários

Depois das amêndoas, dos doces de Páscoa e daquelas que pareceram 3500 horas ao volante, volto ao conforto do lar.

O espírito é reconfortante mas, ao mesmo tempo, demasiado repleto das chamadas “coisas fofinhas”. Acho que vou sonhar com coelhinhos e ovos.

Ainda sinto as réstias de irritação que algumas críticas ao 300 escritas em papel de jornal me têm proporcionado nos últimos dias. Não por serem negativas mas por reduzirem uma pura obra de ficção com inspiração histórica a nada mais do que uma metáfora política. A última vez que me lembrei de verificar, Hollywood não tinha de ser objectivo e imparcial.

Na televisão, claro, a natural referência aos filmes da altura. Esta noite com Quo Vadis na RTP e A Bela e o Mestre na TVI (mas esperem, isto não é um dos tradicionais filmes de Domingo de Páscoa…).

Desligo a televisão e, enquanto aguardo a noite, vejo uns destes.

Sunshine: Diz que é boa Sci-fi

Abril 7, 2007 às 9:40 am | Publicado em Cinema, Opinião | 5 comentários

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No The Guardian, Peter Bradshaw tece-lhe elogios rasgados. Confesso que, quando vi o trailer, pensei que provavelmente seria mais um filme de ficção científica sem alma e sem a escuridão de outrora. Bradshaw sabe do que fala e tendo a prestar atenção ao que, na maioria das vezes, ele diz. Por isso, senhoras e senhores, provavelmente será uma boa atitude ir até ao cinema ver Sunshine quando ele por cá estrear.

A história: Daqui a 50 anos, uma equipa de astronautas segue até ao sol que, entretanto, morreu, para o reiniciar com uma potente bomba nuclear e voltar à terra na esperança de que ela possa, assim, sobreviver.

Sim, parece linear, repetitiva e um beco sem saída para percorrer no que diz respeito a originalidade.

Mas, Peter Bradshaw diz que não. De acordo com o crítico, o filme é bem sucedido porque se inspira em vários portentos da Sci-fi, como 2001, Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick e Dark Star de John Carpenter recuperando muita da sua profundidade e também porque, todo ele, é uma gigante metáfora para o estado da nossa pequena Terra.

É preciso ter em conta que quem está aos comandos desta fita é Danny Boyle, realizador dos perturbadores Trainspotting e 28 Dias Depois, que parece querer continuar a agitar com os seus filmes propensos a extremos bem argumentados e visualmente justificados.

Do elenco constam Cillian Murphy, Rose Byrne e Chris Evans. Chega às nossas salas na próxima semana. Até lá, aqui fica o trailer.

Grindhouse: as primeiras impressões

Abril 3, 2007 às 6:22 pm | Publicado em Cinema, Estreias, Notícias, Opinião | 3 comentários

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Estreia esta semana nos EUA a double feature Grindhouse, de co-autoria a cargo de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

Começam a ouvir-se os primeiros feedbacks por parte dos críticos que já tiveram oportunidade de ver e decompor o filme. O Hollywood Reporter relata que se o filme fosse um jogo o resultado seria Tarantino – 1, Rodriguez – 0. Kirk Honeycutt, o crítico designado para o texto sobre a fita, entende que, sendo este um filme de homenagem aos filmes de violência, sexo e sangue, é aceitável e até desejável o aspecto e a forma como foi feita a metade de Quentin Tarantino, Death Proof.

Parece que esta é mesmo um tributo sentido ao velho género. Como tudo o resto que temos visto vindo do realizador, acredito que esta seja uma demonstração de genialidade num pico de inspiração mas sempre a roçar o arriscado. O mérito de Tarantino é que, geralmente, ele consegue pisar o risco sem perder qualidade.

Por outro lado, o Hollywood Reporter refere que a fracção de Robert Rodriguez, Planet Terror, é tão disparatada, com zombies tão pouco credíveis e cenas gore de tal forma extremadas que o filme perde brilho junto do seu parceiro de exibição. No artigo chega mesmo a insinuar-se que, sendo exibida sozinha, esta película seria um falhanço nas bilheteiras.

Espero que, por cá, não se siga a ideia despropositada de separar os dois filmes e lançá-los independentemente. Não foram criados com essa intenção e quero vê-los de uma só tirada.

Grindhouse estreia na próxima Sexta-feira por terras americanas. Podem ler o artigo completo do Hollywood Reporter aqui.

Os limites do conhecimento “faça você mesmo”

Fevereiro 13, 2007 às 7:27 pm | Publicado em Cinema, Opinião | Deixe um comentário

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Justin Peters do NY Times levanta aqui uma discussão interessante. Numa altura em que o Youtube consegue reunir desde o maior lixo do mundo até obras de arte home made, onde se situam os limites entre quem é ou não um realizador? O que pode ou não ser considerado uma obra cinematográfica?

A questão de fundo gira à volta do tipo de formação e de tecnologias que os “fazedores de filmes” (vamos enquadrá-los assim) têm à disposição.

Com tutoriais com títulos como “make your own damn movie” que se auto-denominam de “film schools in a box” e com os programas de edição cada vez mais disponíveis (softwares como o Final Cut, o Avid, o Edius e o Adobe Premiere) parece mais fácil aceder aos conhecimentos necessários. Não só em termos de esforço mas também no que diz respeito aos custos envolvidos.

Por outro lado, as universidades de prestígio nos EUA, continuam a apostar numa maior formação clássica, arcaica, baseada nas épocas de ouro do cinema e nas técnicas utilizadas pelos melhores realizadores.

Não há uma resposta para saber onde está a virtude. A verdade é que um bom filme não se faz apenas da técnica. Acredito firmemente que uma das bases para um bom filme está na construção narrativa (e isso também se fala no artigo em questão) e não são manuais técnicos que a vão demonstrar.

O conhecimento até pode não ser levado tão à risca como num curso intensivo, de anos numa escola de renome, mas estou convencida de que será fundamental um aprofundamento de conhecimentos, um investimento na história, nas técnicas e nas teorias. Como também é crucial acompanhar os desenvolvimentos ao nível tecnológico e as novas tendências desta democratização do filmmaking. A acrescentar: ver filmes e mais filmes.

É claro que é positivo que mais pessoas possam ter a oportunidade, com este fácil acesso aos meios, de mostrar o seu talento, de fazer experiências que podem ou não dar resultado no futuro ou de apenas criarem pelo gozo de criar. Daí até atingirem a profissionalização, até serem assumidas como profissionais do cinema, vai uma certa distância.

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