A última legião: para ficar no sossego do lar longe desta tentativa de épico

Agosto 16, 2007 às 6:33 pm | Publicado em Cinema, Estreias | 3 comentários

Quanto a este, não há qualquer suspense para criar. Redondamente, francamente e epicamente fraco. Mais umas linhas publicadas ontem:

É oficial: os épicos deixaram de estar em voga. Já há algum tempo que essa realidade era perceptível mas, com experiências como esta, a tendência não podia ser outra. A última legião é uma tentativa de cruzamento entre épicos que, em última análise, acaba apenas por ser uma ofensa às figuras históricas que envolve e aos bons actores que, sem como nem porquê, aceitaram participar nela. Por esta altura, o rei Artur dá voltas no túmulo e os exércitos romanos remexem a terra onde estão com esperança de poderem voltar à vida para limpar o seu nome.

Vamos tentar descrever A última legião através de associações sem com isso pretender ofender os objectos de comparação que nenhuma relação têm com este filme. Se cruzarmos Rei Artur com O Senhor dos Anéis e colocarmos uma pitadinha de O Gladiador chegamos ao que parece ter sido a intenção. Se juntássemos mais umas lutas ao Código Da Vinci (versão cinematográfica) obteríamos o que mais se assemelha a este produto final. Sintetizemos a história. O império romano está à beira do colapso. O imperador Rómulo Augusto é uma criança com cerca de um metro e meio (Thomas Sangster) e os seus defensores são um soldado romântico (Colin Firth nunca poderia deixar de ser romântico) e um filósofo/lutador/feiticeiro (interpretado por um Ben Kingsley em maré de más escolhas). Juntos e com a ajuda de uma guerreira indiana (Aishwarya Rai) que não faz mais do que ser a babe do filme, vão em busca de uma espada milenar (o que fizeram à lenda da Excalibur!) e do último reduto do exército romano na longínqua Britânia, ou a versão clássica do Reino Unido. O argumento é tão desinspirado quanto malicioso já que, claramente, não tem outro objectivo senão obter receitas de bilheteira. Os cenários são pobres e os diálogos ainda mais. A realização é apressada e pouco cuidada e o guarda-roupa traz à memória as lojas de Carnaval no Chiado lá pelo mês de Fevereiro. A última legião é um filme de tareia sem fundo de interesse, com passagens sentimentais mal sentidas e sem perícia histórica nem valor dramático. O que poderá deixar o espectador, e os falecidos citados, ainda mais desiludidos é o facto de não ser claro o porquê de nomes como os do marco cinematográfico Ben Kingsley, do ícone romântico Colin Firth e até do pequeno Sangster que vimos nascer em O amor acontece fazem junto a uma fita tão desprovida de alma quanto esta.

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3 comentários »

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  1. Nunca me despertou interesse… Se tiver a oportunidade de o ver em casa, muito bem. Se não, tb n perco grande espingarda.

    Cumprimentos

  2. Pensava ir ver.
    Acho que já não vou! :-/
    Abraço!

  3. Acho que vc quer tirar aquilo que todos têm quando assistem filmes, imaginacao, pois por mais que um filme retrate um fato real, ha sempre o dedo do diretor no meio, ficcao, se assim e o que me diria do filme as últimas horas de hitler


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