DEZbeta: uma boa amostra mas ainda muito verde

Março 11, 2007 às 9:52 am | Publicado em Cinema, Estreias | 14 comentários

dezbeta1129.jpg

Auditório Natália Correia, bairro de nome sonante (Padre Cruz), dez da noite. Um recinto praticamente cheio com o que parece ser uma espécie de família: a família do DEZ.

Não há ali muitas caras desconhecidas entre si. Aparentemente só a minha e a do amigo que me acompanhava. Por essa razão, todos torcem pelo mesmo, todos têm uma relação emocional com o projecto, todos se deixam levar pelo mais pequeno momento de significado (que acaba em aplauso compulsivo).

Foi bom ver que está ali um grupo de gente nova, desprendida de preconceitos, a querer fazer algo novo que chame a atenção do público constantemente a renegar o cinema português (e, verdade se diga, em grande parte, porque ele continua elitista e despreocupado com o que pode efectivamente agradar).

Quanto ao filme, tem um conceito que, tal como eu acreditava que podia ser, é arejado, concentrando boas ideias e uma boa linha de enredo. Um sem abrigo, um casal, um amante e um namorado, todos ligados por um pedaço de metal.

Na concretização, começa bem mas depois vai acumulando uma série de erros de raccord que, se nota, foram fruto do reduzido tempo que os autores tiveram para fazer a curta.

São coisas visíveis que não deviam estar ali como a dessincronização do barulho dos saltos da personagem de Cláudia Semedo, como o facto de ela não pagar uma moeda à saída de uma loja e como quando, no momento de um acidente, há um erro de sequência que só pode estar ali porque não foi dado tempo aos responsáveis para verem a fita atentamente.

No entanto, tem também momentos bastante impressionistas e intimistas bem construídos e segurados por um ambiente lúgubre e pessoal.

Volto a frisar que a forma como todos os acontecimentos se cruzam é muito bem sacada ( vai buscar claras influências a David Lynch e aos mais recentes de Iñarritu) tendo como fio condutor aquela moeda que, tal como todas, tem uma história para contar.

Podem vê-lo aqui.

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14 comentários »

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  1. Pois é… Uma desilusãozita! Mas também gostei da sequência dos acontecimentos. Em relação ao acidente, aquilo foi mesmo um erro ou seria mesmo assim? tenho que rever. Vamos esperar por mais.

  2. Ela atira a caixa do anel janela fora e só depois encontra o outro carro.
    Do lado do detective, ele passa primeiro por cima da caixa do anel e só depois a encontra.
    Erro de raccord. 🙂

  3. desculpa mas acho que estás enganada. o detective quase que choca com a rapariga, diz até que ‘as mulheres são todas iguais’ para depois, ao passar por cima da caixa do anel, ter um acidente. o erro não é de raccord – a situação é que não é nada plausível. ninguém tem um acidente por passar por cima de uma caixa de um anel.

  4. Tenho de rever, então. Escrevi isto com a impressão que me ficou das duas vezes que vi a curta durante a noite de estreia. É possível que me tenha enganado.
    🙂

  5. obrigado por falarem sobre o dez.
    a claudia nao paga a saida da loja pq efectua o pagamento antes de sair da loja, tanto q o plano começa com o ze pedro gomes a fechar a caixa.
    a sequencia esta correcta, ao contrario do que dizes.
    os erros q realmente existe nao falaste sobre eles, mas td bem!
    fiquem a espera do dez filme, pq certamente vamos faze-lo!

    um abraço
    “do amante, namorado, ass. produçao e ass. direcçao de fotografia” pedro ribeiro

  6. Eu é que agradeço por tentarem fazer com que se perca o preconceito para com o cinema feito por cá.
    Acho óptimo que pessoas novas, desprendidas de dogmas e de preconceitos tentem dar este salto.
    Peço desculpa por alguma incorrecção. O meu comentário foi de facto, feito com base na noite da estreia. Não voltei a rever o filme. Fá-lo-ei assim que tiver um bocadinho.
    Espero que os erros apenas vos dêem mais vontade de melhorar e que a inspiração continue a dar filhotes. 🙂

  7. Se a sequência está correcta, então fico na minha – não é nada plausível um carro despistar-se por passar por cima de uma caixa de um anel (mesmo com a possível ‘maldição’ da moeda). Quanto aos erros…são bastantes. Fora o facto de o filme parecer um trailer quando, afinal, tenta ser uma curta-metragem.

    Quanto às pessoas novas e tal…gostava de saber se viram o Coisa Ruim? É que não basta um projecto de qualidade – aliás, os projectos só têm qualidade se os produtos que originam a tiverem.

    E já agora, gostava de perguntar ao pedro se concorreram ao ICAM? até agora, só vi críticas ao ICAM e que nunca conseguiriam o apoio do ICAM porque são novos realizadores. Mas concorreram ou não? É que não basta dizer o que todos dizem. Também pode ter sido opção não concorrer. Mas a verdade é que, quando se afirmam independentes e depois apresentam como apoios a PT e o Sapo…

  8. tal como no comentario de pedro ribeiro o pagamento da moeda é efectuado logo no inicio do plano do ze pedro gomes…
    em relaçao ao saltos..nao está dessincrone, tem mesmo haver com o andar da claudia semedo..a primeira vista parece que está..mas vendo com atenção verifica-se que está certo.
    em relação ao acidente o comentario de sg diz tudo.
    em relação a ser filme.. nunca foi apresentado como tal..sempre foi defendido como curta metragem de uma duração de 10 minutos..

  9. epa acidentes existem.. com por exemplo ires a fumar e sem querer atiras o cigarro para fora do carro e ele volta a entrar, tu atrapalhado(a) quase que te desligas da estrada so para tirares fora o cigarro do teu carro e podes ter um acidente. no caso do luis lucas, ele passa por cima da caixa do anel, vira o volante rapidamente o que o faz despistar-se. simples. ja tive um acidente parvo assim.
    quanto ao a ser um trailler em vez de uma curta metragem, ficas com essa ideia devido ao fade to black em mtas cenas ser enorme.
    ja agora se dizes q os erros sao enormes, gostava que me disseses alguns sff.

    quanto ao icam, nao sei… nao estou nessa area.

    nao existe apoios da pt nem da sapo. existe sim um media partner que apenas passou o trailler umas vezes na sic radical e por isso agradeceu-se no final como é onvio.

    um abraço e fico à espera de mais comentarios

    pedro

  10. meus caros,
    É muito bom ver a discussão (coversa) gerada, no entanto tenho pena que se façam comparações e considero-as completamente desnecessárias. Comparar alhos com bugalhos para mim não faz sentido. Comparar uma curta-metragem com orçamento com outra sem qualquer orçamento para além dos 200€ que gastei a pagar refeições não me parece interessante. Comparar uma curta-metragem de tipos que têm quase o dobro da minha idade e consequentemente o dobro da minha experiência com a minha segunda curta não me parece que leve a lado nenhum. Gosto muito do trabalho deles, espero que gostem do meu, agora comparar…
    Apesar de tudo acho que o mais importante neste caso, pelo menos para mim, é poder ler e ouvir críticas porque em primeiro lugar demonstram que o filme foi visto, e em segundo lugar servem para aprender.
    O autor do texto do blog adivinhou a falta de tempo que realmente foi o mais difícil de colmatar, no entanto estou convencido de que o trabalho cumpre os objectivos. Pretende ser um cartão de visita. Pretende dizer: dêem-nos condições que nos fazemos 10 vezes mais, em quantidade e em qualidade.
    Só para esclarecer, não tivemos apoio nenhum da PT a não ser o facto de termos tido o apoio da sic radical na divulgação e nos dois dias de servidor para o streaming (o servidor e isso creio que são da PT, é daí que pode ter vindo a confusão). De resto, o Bazar do Vídeo providenciou os meios técnicos que pôde. Esse sim foi o grande apoio que tivemos.
    Obrigado pela força,

    André

    p.s. -pelo contrário, não dizemos o que todos dizem, preferimos correr o risco de fazer. Acho que todos sabemos como funciona a imprensa e ninguém anda a fazer queixas do ICAM. Tentámos, não deu, fizemos, está aqui, com todos os defeitos que tem. Eu gosto e sei que vou fazer melhor.

  11. Como disse no post, com os erros que o DEZbeta tem, é, sem dúvida um óptimo cartão de visita.
    Acho também que, pelo menos para quem esteve na estreia em grande ecrã, foi fácil entender que vocês tiveram poucos meios e pouco tempo para o fazer e, por isso, espero pela altura em que consigam ter as condições de que precisam para ultrapassar certas barreiras.
    Vou de certeza estar lá para ver o produto. 🙂

  12. Acho que o André disse tudo…
    Força amigo

    Um abraço

  13. Pedro, claro que o André não disse tudo, nem pode. o André pode ter a sua opinião enquanto realizador – presumo que seja o André realizador. Eu posso ter a minha enquanto membro do público.

    E, já agora, Inês: acho que querias dizer que mesmo com os erros que o Dezbeta tem, é, sem dúvida, um óptimo cartão de visita – e não, “com os erros…”. É que soou um bocadinho irónico.

  14. Não pretendia ser irónica.


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