Os limites do conhecimento “faça você mesmo”

Fevereiro 13, 2007 às 7:27 pm | Publicado em Cinema, Opinião | Deixe um comentário

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Justin Peters do NY Times levanta aqui uma discussão interessante. Numa altura em que o Youtube consegue reunir desde o maior lixo do mundo até obras de arte home made, onde se situam os limites entre quem é ou não um realizador? O que pode ou não ser considerado uma obra cinematográfica?

A questão de fundo gira à volta do tipo de formação e de tecnologias que os “fazedores de filmes” (vamos enquadrá-los assim) têm à disposição.

Com tutoriais com títulos como “make your own damn movie” que se auto-denominam de “film schools in a box” e com os programas de edição cada vez mais disponíveis (softwares como o Final Cut, o Avid, o Edius e o Adobe Premiere) parece mais fácil aceder aos conhecimentos necessários. Não só em termos de esforço mas também no que diz respeito aos custos envolvidos.

Por outro lado, as universidades de prestígio nos EUA, continuam a apostar numa maior formação clássica, arcaica, baseada nas épocas de ouro do cinema e nas técnicas utilizadas pelos melhores realizadores.

Não há uma resposta para saber onde está a virtude. A verdade é que um bom filme não se faz apenas da técnica. Acredito firmemente que uma das bases para um bom filme está na construção narrativa (e isso também se fala no artigo em questão) e não são manuais técnicos que a vão demonstrar.

O conhecimento até pode não ser levado tão à risca como num curso intensivo, de anos numa escola de renome, mas estou convencida de que será fundamental um aprofundamento de conhecimentos, um investimento na história, nas técnicas e nas teorias. Como também é crucial acompanhar os desenvolvimentos ao nível tecnológico e as novas tendências desta democratização do filmmaking. A acrescentar: ver filmes e mais filmes.

É claro que é positivo que mais pessoas possam ter a oportunidade, com este fácil acesso aos meios, de mostrar o seu talento, de fazer experiências que podem ou não dar resultado no futuro ou de apenas criarem pelo gozo de criar. Daí até atingirem a profissionalização, até serem assumidas como profissionais do cinema, vai uma certa distância.

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