Shrek: com menos sal e mais adocicado
Junho 21, 2007 at 9:52 pm | In Cinema, Estreias | 1 CommentCá vos deixo mais um textinho de quinta-feira, que andou pelo estaminé do costume, também ele verde como o ogre.
No fundo, é isto tudo que eu penso da terceira aventura do monstro verde mais requisitado do mundo. Aproveito para vos dizer que os primeiros ecos que me chegaram do Die Hard 4.0 foi positivo.
“A galáxia não é «far far away» («Bué, bué longe» na possível tradução para português) mas o reino toma essa nobre designação. Há pouco sangue azul neste mundo onde os castelos são de contos de fadas e as avenidas se assemelham a uma Beverly Hills medieval. Por entre as muralhas do castelo, o verde tomou de assalto a monarquia e, sem cognome nem descendência real, ganhou direito a morar no trono. Senhores e senhoras, façam uma vénia para sua majestade, Shrek, o Terceiro.
Talvez ainda não seja desta que o ogre mais acarinhado do mundo se torna rei. Como seria de esperar, a ideia aterroriza-o. Se assim não fosse algo tinha tomado um caminho bem diferente neste conto de fadas passado à margem do cor-de-rosa habitual. Habituámo-nos a ver princesas caricaturadas, príncipes de retrato fútil e superficial, quais Paris Hilton dos cavaleiros, e figuras incontornáveis do nosso imaginário infantil «recriadas» numa nova interpretação.
O chavão «…e viveram felizes para sempre» despiu-se de romantismos e ganhou um novo fôlego com a chegada de Shrek. Os tempos das Brancas de Neve, dos Bambis e das Cinderelas chegaram ao fim ou, pelo menos, foram reintegrados nesta nova modernidade oferecida aos personagens clássicos. Agora, ao terceiro balanço, há ideias esgotadas e fórmulas excedidas mas, não há dúvidas de que um tempo passado com a família real mais estranha dos livros, nunca é desperdiçado. Shrek, o Terceiro, tem o peso do número três, não respira o fresco de que precisava, mas acabamos por nos render, ainda que só aos olhos mais persuasivos do mundo da animação: os do Gato das Botas.
As expressões recorrentes desta época quente do cinema são, sem dúvida, «de volta» e «o regresso». A terceira parte de Shrek não é excepção e, por isso, aqui faço uso do português obrigatório. Shrek, Fiona, o sedutor gato e o barulhento burro estão «de volta» para mais uma missão arriscada. O rei tornado sapo, pai da princesa de aspecto pouco delicado, está às portas da morte e, por entre tosses e engasgos, faz um último pedido. Alguém tem de assegurar a sucessão no trono e só existem duas alternativas: ou o marido da sucessora se torna rei ou terão de convencer o primo afastado que resta no parentesco a assumir o papel de crucial importância.
A equipa habitual «regressa» com garra (cá está de novo o termo) e parte em busca do novato e liceal futuro rei que, imagine-se, se chama Artur. Para complicar o percurso há um príncipe encantado sempre egocêntrico que reúne figuras menos boas dos contos de fadas (do Capitão Gancho à Bruxa Má) e que, de certa forma, as sindicaliza para partirem em luta pelo lugar na cadeira suprema. Para além daqueles que já esperamos, há um último reduto a combater os «maus da fita». É uma espécie de agrupamento de princesas duronas que brigam que nem homens mas que, simultaneamente, se juntam em encontros a lembrar as tardes de tagarelice em O Sexo e a Cidade.
O número três de Shrek revela uma fórmula com pouco mais para explorar. O caminho que se tenta seguir é o de tentar trazer para a cena muitas mais personagens que toquem à memória do público mas, na maioria das vezes, ou porque a quantidade é exagerada, ou porque não é dada a devida atenção a cada uma, não nos apegamos a elas. É o caso do pequeno Artie, o rei «to be» com a pouco convicente voz de Justin Timberlake.
Nas personagens habituais já pouco há para trazer de novo e o esgotamento é notório quando, por exemplo, se recorre a uma troca de corpo entre burro e gato que acaba por nos deixar desligados de um e de outro. Também aquele tom de liberdade criativa que resultava em piadas arrojadas parece ter desvanecido. Há mais preocupações em não expandir o atrevimento porque, claro, há mais cuidados para agradar a um público progressivamente mais vasto. Apesar de ser visível a falta de novas saídas, há momentos de humor valiosos.
Aponto aquele em que a Branca de Neve oferece um anão a Fiona ou outro em que o «fatal» gato mostra os seus talentos de Don Juan. Lá pelo meio, o Burro também protagoniza um momento de estrela de rock bem digno. Shrek, o Terceiro, é, seguramente, uma terceira parte menor mas nunca pode dizer-se dele ser um desperdício. Bastam dois segundos daqueles olhos felinos totalmente desarmantes para nos prender ao ecrã. Basta uma gargalhada sincera para continuarmos a seguir a narrativa com atenção.
Rendemo-nos, ficamos e não reclamamos, presos aos personagens que, mesmo começando a ganhar uma tonalidade verde no geral, chegam para não nos tornarmos provincianos lenhadores a fugir do temível ogre.“
Marc Forster a tomar conta de Bond, James Bond
Junho 20, 2007 at 9:13 pm | In Cinema, Notícias | Leave a CommentIsto vai dar um resultado catita. O realizador Marc Forster, que antes conhecemos por Monster’s Ball (que valeu o óscar a Halle Berry) e Finding Neverland (uma delícia de história que nos põe a desejar rever Peter Pan), vai ser o próximo realizador de James Bond.
Poderá isto significar que os produtores de Bond querem aprofundar o perfil psicológico do personagem?
Depois da última experiência, positiva diga-se, com Casino Royale, podemos estar a assistir a um renascimento consolidado do agente secreto mais famoso do mundo.
Tenho fé. Acreditem, este post não é uma desculpa esfarrapada para publicar no Elite uma imagem do bom rapaz que é Daniel Craig. De qualquer forma, impõe-se.
Festival de Micro Filmes de Lisboa: Este tem de ser vendido
Junho 20, 2007 at 9:02 pm | In Cinema, Notícias | Leave a CommentNão sou muito de fazer publicidade mas esta iniciativa tem que se lhe diga.
A ideia é inovadora e o acesso é para todos. O mote diz tudo: “Faz o filme, faz o festival”, por isso, meus caros, toca a assumir o papel de realizadores.
As Produções Fictícias estão a organizar o Festival de Micro Filmes de Lisboa. A ideia é criar uma espécie de base de dados de pequenos filmes para pequenos ecrãs. Foram convidadas dez personalidades das mais diversas áreas para criarem o seu próprio filme (entre elas David Fonseca, Rui Reininho e António Pedro Vasconcelos) mas o espaço é de todos.
Qualquer um pode pegar no telemóvel, na câmara digital ou na máquina fotográfica e fazer um pequeno filme destinado a ser exibido na internet, num telemóvel ou num iPod.
Podem fazer o upload no site de um vídeo com o tema que vos apetecer mas, atenção, se quiserem que se destine à apreciação do júri do concurso, é preciso que a ideia de partida seja original e minimamente sólida.
Confesso que estou tentada a fazer uma destas experiências. Uma impressão em três minutos e 100 MB.
De 14 de Setembro a 14 de Novembro podem colocar a vossa fita on-line. Deixo-vos o filme que o realizador Edgar Pêra fez para apresentar o festival. Chama-se Mikromanifesto.
Fica aqui também uma pequena reportagem sobre o evento.
Vamos então ser cidadãos-cineastas.
Um ilustre compositor por terras lusas
Junho 18, 2007 at 8:08 pm | In Cinema, Notícias, Pessoas | 5 CommentsGustavo Santaolalla, compositor argentino extraordinaire e vencedor de dois óscares pelas bandas sonoras de Brokeback Mountain e Babel vai estar por Portugal no próximo dia 29.
A ocasião é a do arranque da digressão europeia da sua banda, Bajofondo Tangoclub, que tem como ponto de partida a bela cidade de Guimarães.
Para além do dito cujo (guitarra, percussão e voz), fazem parte da agrupamento musical (que provinciana que estou hoje) Juan Campodonico (DJ, sequências), Luciano Supervielle (piano, scratch), Javier Casalla (violino), Martin Ferres (bandoneón), Gabriel Casacuberta (contrabaixo), Adrian Sosa (bateria) e Veronica Loza (vídeo-jockey).
Se andarem por aquelas bandas, parece-me que é um acontecimento a não perder.
Acabo de Ver…Quarteto Fantástico: O Surfista Prateado
Junho 17, 2007 at 6:17 pm | In Acabo de Ver, Cinema, PodCast | 1 Comment17/06/07 – Quarteto Fantástico: O Surfista Prateado – De novo um quarteto em nada fantástico. A adaptação longe do original da Marvel. O Silver Surfer traz o único brilho do filme. Download
Cuáron(s), Iñarritu, Bernal e Luna: O grande ensemble latino
Junho 17, 2007 at 1:55 pm | In Cinema, Notícias | Leave a CommentImaginem este cenário. Gael Garcia e Bernal e Diego Luna (a dupla de E a tua mãe também) como protagonistas, Carlos Cuáron (irmão do grande Alfonso) como realizador e Alejandro Gonzalez Iñarritu e o próprio Alfonso Cuáron como produtores.
Diria que esta é uma equipa do tipo “caramba-que-se-isto-
não-der-um-bom-resultado-algo-está-mal”.
Na verdade, o grupo está a filmar Rudo y Cursi, um filme sobre a relação amor/ódio de dois irmãos jogadores profissionais de futebol.
De recordar que Alfonso Cuáron, Iñarritu e Guillermo Del Toro (o trio maravilha do México) formaram recentemente uma produtora que promete fazer cinco filmes por ano. Este é o seu primeiro projecto.
À mesa com a Disney Pixar
Junho 16, 2007 at 4:19 pm | In Cinema, trailers | Leave a CommentIsto parece promissor. Mesmo que o conceito para o novo filme não vos agrade, é simpático perceber que as melhores ideias surgem, de facto, à mesa.
Ora vejam.
Óscares, já?
Junho 15, 2007 at 6:48 pm | In Cinema | Leave a CommentFaltam nove longos meses mas, ao que parece, já os preparativos se começam a fazer para os Óscares. Não são preparativos logísticos mas sim de posicionamento para a corrida às nomeações.
O The Guardian “acusa” Ridley Scott e o seu novo American Gangster de estarem já a abrir caminho para as desejadas estatuetas. O filme conta com a participação de Russell Crowe e relata a história de um polícia durão que corre atrás de um traficante de drogas.
A fita só chega às salas em Novembro mas já correm por aí teasers a promovê-la e aos envolvidos no projecto. Campanha? Provavelmente. No entanto, nada que surpreenda muito.
Fiquem com um dos ditos teasers.
Nas salas esta semana: parte 2
Junho 14, 2007 at 3:14 pm | In Cinema, Estreias | Leave a CommentAlgo diferente se ergue por entre as estreias de Verão. O documentário de Eric Steel, A Ponte, desenha uma Golden Gate Bridge dramaticamente poética e com um propósito macabro. A ponte é conhecida, desde há muitos anos, por ser um dos locais mais procurados para suicídios tendo, por essa razão, decidido o realizador filmar a estrutura de dois pontos de vista e durante um ano seguido.
A recolha captou mais de duas dúzias de suicídios e permitiu captar este retrato, por vezes assustadoramente bizarro, de como o mundo assiste impávido à queda de muitos.
É uma visão muito interessante esta que nos traz A Ponte. Por um lado porque a nossa curiosidade repele-nos das e ao mesmo tempo atrai-nos para as cenas em que alguém se deixa cair lá de cima. Por outro lado, também os testemunhos de familiares, amigos e, até, de um sobrevivente são uma exploração de ideias que prendem o espectador.
O problema do documentário reside no facto de ser demasiado exaustivo e intensivo. Tantas “vítimas” e tantos familiares, com opiniões que coincidem na maioria dos pontos explorados e a visão da ponte que, a certa altura, começa a cansar-nos por ser sempre demasiado distante. Faltavam outros testemunhos e uma visão mais interna da Golden Gate Bridge.
Ainda assim, parte de uma premissa consistente e, pelo trabalho que a equipa desenvolveu, merece ser visto.
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